BrunTchê by AGS no Startup Summit amplia conexões do ecossistema de inovação do RS
Primeira edição do encontro no Startup Summit 2026, em Florianópolis, mate e
Mate, café, identidade gaúcha e, principalmente, conexões capazes de abrir portas para novos negócios. Foi com essa proposta que o BrunTchê by AGS realizou sua primeira edição nesta sexta-feira (28), no CentroSul, em Florianópolis, durante o Startup Summit 2026.
Criado pela Associação Gaúcha de Startups – AGS, o BrunTchê é um formato de encontro que aproxima startups, investidores, fundos, aceleradoras, corporações e demais agentes do ecossistema de inovação em um ambiente mais informal e propício à construção de relacionamentos.
O nome e a linguagem carregam a identidade do Rio Grande do Sul. O convite para “se aprochegar”, acompanhado de mate, café e boas conversas, ajuda a criar um ambiente descontraído, mas com um propósito bem definido: fazer com que os encontros avancem para além de uma troca de cartões e possam resultar em parcerias, investimentos, acesso a mercados e novas oportunidades.
Mais de 250 gaúchos em Florianópolis
A estreia do BrunTchê aconteceu em um momento de forte presença do Rio Grande do Sul no Startup Summit. Mais de 250 pessoas integraram a delegação gaúcha, além dos participantes que chegaram a Florianópolis por outros meios. Entre as 235 startups expositoras presentes durante os três dias do evento, 60 são do Rio Grande do Sul. Destas, 56 participaram com apoio do Sebrae-RS e 15 através da AGS.
Natália Bertucci, do Sebrae RS, explica que foi justamente a dimensão dessa participação que ajudou a construir a oportunidade para a realização do BrunTchê. A ideia foi reunir o ecossistema gaúcho, mas sem restringir as conexões aos próprios participantes do estado. Com investidores, corporações e representantes de diferentes regiões concentrados no Startup Summit, o encontro também se tornou uma vitrine para apresentar o que vem sendo desenvolvido no Rio Grande do Sul. “Vimos como uma oportunidade de reunir esse ecossistema gaúcho e não só entre si, mas apresentá-lo para outros atores, aproveitando que estariam aqui investidores, corporações e pessoas do Brasil todo”, destacou Natália.
Essa presença também acompanha a evolução do próprio ecossistema de inovação do estado. Durante o encontro, Carlos Eduardo Aranha, gerente de Inovação do Sebrae-RS apresentou dados de um mapeamento que aponta mais de 1,6 mil startups no Rio Grande do Sul. “Destas, mais de 800 estão em estágios de operação, crescimento ou escala, ou seja, tem CNPJ, tem estrutura montada, tá emitindo nota fiscal e tá faturando”, comemora Carlos.

A conexão como estratégia para fazer startups avançarem
Para o presidente da Associação Gaúcha de Startups, Rodrigo Cavaleiro, a primeira edição materializa uma das principais funções desempenhadas pela AGS: aproximar quem está construindo soluções de quem pode contribuir para transformar essas soluções em negócios. “Estamos trazendo grandes investidores, fundos de investimento, startups associadas e também aquelas que estão escalando no ecossistema, justamente porque acreditamos nesse movimento e nessa conexão que gera valor”, afirmou.
Segundo Cavaleiro, a associação busca funcionar como um canal de acesso entre startups, investidores, fundos e grandes empresas. Nesse processo, não basta que o empreendedor tenha uma tecnologia ou solução relevante. É necessário conseguir chegar às pessoas certas dentro das organizações. “Uma startup pode ter uma solução extraordinária. Se ela não chegar ao decisor certo, o negócio dela não vai para frente. Então, a gente serve como essa conexão e esse selo de validação que faz com que a corporação olhe de fato para o empreendedor e perceba a geração de valor que ele pode trazer para a empresa”, explicou.
Na avaliação do presidente, a AGS também exerce um papel de validação e curadoria de soluções dentro do ecossistema. “Somos um grande validador de soluções ou curadores, como alguns gostam de dizer”.
É nesse contexto que o BrunTchê procura se diferenciar de um encontro de networking convencional. Ao colocar diferentes pontas do ecossistema no mesmo ambiente, a intenção é aumentar a possibilidade de uma conversa resultar em relacionamento, investimento, parceria comercial ou acesso a uma organização que até então estava distante da startup
Startup Summit amplia ambiente para geração de negócios
Alexandre Souza, coordenador Nacional do Sebrae Startup, classificou esta como a maior edição já realizada. Segundo ele, o evento chegou a aproximadamente 13 mil inscritos presenciais e 13 mil online na plataforma.
O evento também recebeu 30 delegações, algumas delas com espaços de exposição, reforçando a presença de diferentes ecossistemas e a busca por maior projeção internacional. A programação reuniu dez palcos e quase 280 palestrantes.
Mais do que crescer em público, entretanto, o Startup Summit vem passando por uma mudança de foco. Se nas primeiras edições a capacitação dos empreendedores ocupava uma posição central, atualmente a geração de negócios para startups ganhou maior protagonismo. “O objetivo principal nosso agora é gerar negócios para startups”, destacou Alexandre.
Segundo Alexandre, a prioridade está especialmente nas empresas em estágio inicial, aproximando startups early stage de fundos, grandes companhias e, nesta edição, também de delegações internacionais.
Investidores buscam projetos e novos empreendedores
Felipe Garcia, da WOW, destacou que reunir esses agentes em um ambiente mais informal permite conversas que nem sempre encontram espaço na rotina dos grandes eventos. “A gente tem vários empreendedores e várias empreendedoras participando aqui dentro do Startup Summit e consegue tomar um café, conversar com calma, que às vezes a correria do dia a dia não possibilita”. Para Garcia, a atuação conjunta das organizações também contribui para o amadurecimento do ecossistema. “É uma iniciativa fantástica e a gente está muito feliz de poder apoiar”, afirmou.
Já para Sandro Cortezia, fundador e CEO da Ventiur, é muito importante trabalhar sempre de uma forma cooperativa. Para ele, as três aceleradoras juntas no espaço mostram o potencial da região. “Naturalmente competimos com outros investidores, mas cooperamos, colaboramos e estamos juntos para fazer um ecossistema mais forte”.
José Augusto Albino, da Primus Ventures destacou o Sul Ventures, fundo dedicado a startups B2B da Região Sul. Depois de um ano de estruturação da operação, o fundo avança agora para uma nova etapa: os primeiros aportes já foram aprovados em comitê e devem ser concluídos em breve. “Nossa tese é realmente apoiar o ecossistema da região. Naturalmente, o Rio Grande do Sul é muito importante para nós, mas a gente também olha Paraná e Santa Catarina. A gente fica muito animado com esse evento, com o ecossistema, com grandes parceiros e investidores e com esse movimento muito bacana que a AGS está fazendo”.
Da ciência ao mercado: startup gaúcha busca escala
Entre as startups inseridas nesse ambiente de conexões está a Zavareze Beauty, startup gaúcha selecionada entre as 1.000 melhores startups do Brasil no Prêmio Sebrae Startups 2026.
Posicionada como uma Beauty Deep Tech brasileira, a empresa já possui mais de sete anos de pesquisa e busca aproximar ciência, tecnologia e inovação do cuidado com a pele.
Para a fundadora e CEO, Paula Zavareze, a participação no Startup Summit teve um objetivo definido: abrir mercado e criar condições para escalar a marca. “A gente veio para abrir mercado. Queremos escalar a nossa marca. Isso está sendo incrível”, afirmou.
Segundo Paula, a qualificação dos contatos chamou atenção nesta edição. “Eu acho que nunca vi uma edição com pessoas tão qualificadas. Já são 15 leads nacionais que avançaram para reuniões e contatos que terão continuidade após o evento”.
Conexões que continuam depois do café
A estreia do BrunTchê também se soma a outras iniciativas promovidas pela AGS para aproximar diferentes agentes do ecossistema.
Entre elas estão encontros como o Conexões na Brasa, além de ações junto a universidades e formatos destinados a conectar talentos, startups e grandes corporações.
Mais do que replicar um café da manhã, a proposta é que cada edição do BrunTchê tenha características próprias, mantendo o mesmo princípio: proporcionar um ambiente no qual empreendedores, investidores, empresas e parceiros possam se aproximar e construir relações que continuem depois do encontro.
Ao convidar as startups a participarem mais ativamente da rede, Rodrigo Cavaleiro resumiu a intenção da associação. “Se aproximem da AGS, vocês que são startups, porque a gente vai ajudar, pegar na mão e fazer com que a startup escale e se conecte com as pessoas certas, no momento certo”. Resumindo, a mensagem que fica é que conectar pessoas também é uma forma de acelerar inovação.
O BrunTchê foi realizado pela AGS, com patrocínio do Sebrae-RS, Primus Ventures, WOW Aceleradora e Ventiur Aceleradora, o encontro aproveitou a concentração de empreendedores e lideranças do setor durante o Startup Summit para ampliar as conexões do ecossistema gaúcho com agentes de diferentes regiões do Brasil.
Texto: Vânia Monteiro – 6816/SC
Crédito fotos: Vânia Monteiro


